nº5 (2013)

Geopolítica e o Mar (no prelo)

Geopolítica e o Mar (no prelo)

Sumário (provisório)

O Golfo da Guiné – da perspectiva geográfica à perspectiva geopolítica

 Gilberto Veríssimo (Angola)

 resumo

 Ao longo da história a perspectiva em relação ao que se designa por Golfo da Guiné tem tido como base a geografia. Porém, não existe consenso que permita identificar univocamente o território abrangido. Por outro lado, não existem estudos, no quadro da Geopolítica, que considerem o continente africano de forma global de modo a diferenciar as várias regiões que o compõem, incluindo a região do Golfo da Guiné. Com efeito, a contiguidade à Europa – de que a separa o Mar Mediterrâneo – e à Ásia – ligada pelo istmo do Suez – materializando os interesses imediatos da Europa vizinha, justificaram somente o estudo da África setentrional. Deste modo, em estudos como o de Georg Hegel (1770-1831) a África aparece formada por 3 partes, a saber: a África setentrional (Marrocos, Fez, Argel, Túnis e Trípoli), ligada à Europa pelo Mediterrâneo; separada do Egito pelo deserto e pelo Níger (segunda parte); e aquilo que consideram propriamente a África, situada a sul do Saara, apreciada como “(…) um Eldorado recolhido em si mesmo, é o país criança, envolvido na escuridão da noite, aquém da luz da história consciente. (…). Nesta parte principal da África não pode haver história” (Hegel, 1928, p. 190-192). O presente texto apresenta a perspectiva geográfica e geológica e propõe, socorrendo-se principalmente das teorias enunciadas por Halford Mackinder (1861- 1947) e Saul Cohen, uma definição geopolítica para a região do Golfo da Guiné.

A Defesa Hemisférica em Crise: uma Geopolítica do Atlântico (republicação)

 Reginaldo Gomes Garcia dos Reis (Brasil)

 resumo

Os capítulos que antecedem a este permitem uma visão histórica das relações do poder dos Estados, lindeiros ou não, com o oceano Atlântico. A história desse oceano foi até aqui tratada e dissecada de tal forma que reuniu uma série de informações importantes para dar o barlavento necessário a inverter o rumo. Isso significa olhar de forma inversa, dentro dos desafios contemporâneos e prospectivos, como nós brasileiros devemos ousar uma concepção distinta dentro do actual quadro de crise geopolítica no cenário deste início do século XXI.

 

O convite é para que iniciemos o périplo a partir dos desafios que se antepõem a um Brasil que ingressa, apesar de todas as contradições internas, em um novo patamar de «espaço» e «posição» geopolíticos no mundo contemporâneo. Assim, … 

Vectores geopolíticos do «mar português» no espaço europeu

 Jorge Tavares da Silva e Teresa Cierco

 resumo

Este artigo procura avaliar os vectores geopolíticos que caracterizam o mar português e de como a visão integrada de criar um «mar europeu», o qual implica a partilha de recursos e de espaço marítimo por todos os actores europeus, pode vir a colidir com os seus interesses nacionais. Sendo o mar um dos maiores activos do país, numa altura em que tem expresso o objectivo de alargar a sua plataforma continental, fica expressa a oportunidade de Portugal poder ou dever reforçar a sua rede de ligações externas, aproveitar a sua vocação atlântica e aformar-se como líder do mundo lusófono.

abstract

This article aims to assess the geopolitical vectors that characterize the Portuguese sea, and how Portuguese interests could be damaged by the creation of an «European Sea». This implies that it needs to share resources and space. The sea is one of the greatest Portuguese assets and Portugal is trying to extend its continental platform. In this context it should strengths its foreign network and tries to benefit from its Atlantic vocation and establish itself as a leader of the Lusophone world.

Uma Biografia do Almirante Alfred Thayer Mahan

 Nuno Sardinha Monteiro